Poirot Perde Uma Cliente | Resenha

19 de fevereiro de 2024 - Regiane Silva

Nicho da estante com alguns livros da Agatha Christie e o livro Poirot perde uma cliente em destaque.

Livro: Poirot Perde Uma Cliente;

Autora: Agatha Christie;

Editora: HarperCollins;

Publicado em 1937;

Páginas: 251;

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Sinopse:

Se a morte de Emily Arundell não surpreendeu ninguém ― afinal, era já uma mulher bem idosa e sua saúde não era das melhores ―, o mesmo não se podia dizer de seu testamento. Após sobreviver ao que acreditava ser uma tentativa de assassinato, a srta. Arundell alterou os beneficiários da herança e escreveu para Hercule Poirot em busca de auxílio e proteção. Quando a carta enfim chega às mãos do detetive belga, já é tarde demais. Agora, caberá a Poirot e a seu fiel companheiro Hastings determinar se os incidentes não passaram de infelizes eventos isolados ou se, na verdade, faziam parte de um mesmo plano sinistro.

Resenha

Ler Agatha Christie é sempre uma delícia. A escrita leve, os personagens cativantes e o mistério presente no texto são apenas pequenas nuances que nos envolvem, pois seus romances vão muito além disso.

Fico impressionada como a autora consegue criar bons personagens. O que mais gosto nessa construção de Agatha é que seus personagens são humanos, cheios de falhas, e isso fica muito evidente em cada ação deles. Não há desculpas ou justificativas para eles serem assim, só são. Sempre terá um personagem que vai lembrar o leitor de alguma pessoa que ele conhece na vida real.

Como uma apaixonada pelo Hercule Poirot, este livro me prendeu logo no início, pois nosso detetive metódico aparece bem no início da história. A melhor parte é que o querido e fiel companheiro Hastings começa a nos contar a história do seu ponto de vista já no capítulo cinco, deixando claro que foi ele quem havia nos contado os capítulos anteriores, mas que ficamos sabendo desse detalhe apenas quando ele aparece na história.

O humor e a química entre Poirot e Hastings deixa tudo mais divertido e agradável de ler.

“— Poirot… eu, o humilde Watson… vou arriscar um palpite. (…)
— Acertou em cheio, Sherlock Holmes! (p. 37)”

Hastings resolve acompanhar Hercule numa nova aventura, porém ele está descrente de que vão obter algo. Afinal, Poirot recebeu uma carta um tanto curiosa de uma mulher, porém a data da carta é de abril, e eles receberam-na somente em junho. Então, as chances de tudo já ter sido resolvido são grandes.

O que deixou Hastings ainda mais convencido de que Poirot apenas resolveu perder tempo foi que, ao chegarem à cidade da srta. Arundell, descobrem que ela já havia falecido. Para o companheiro de Hercule, o mistério já estava resolvido, contudo nosso detetive belga resolve investigar aquele caso, mesmo a sua perdida cliente tendo morrido de aparente causa natural.

Poirot está intrigado com o que a srta. Arundell escreveu na carta. Ela deixa entendido que havia sofrido um acidente com a bola de cachorro na escada de sua casa, mas não acreditava que foi mesmo um acidente.

“Acidentes são coisas que acontecem com frequência e, às vezes, Hastings, pode-se ajudá-los a acontecer! (p. 75)”

E por causa do mistério envolvendo o envio tardio da carta e as coisas que Emily Arundell havia escrito, Poirot resolve desvendar o mistério da família. Não precisa ser um grande detetive para suspeitar que ali houve alguma coisa, visto que Emily era muito rica e não tinha filhos, por isso, os herdeiros de sua herança eram seus sobrinhos, Bella, Charles e Teresa, contudo quem herdou tudo foi sua dama de companhia, pegando todos de surpresa.

“Nem bem o defunto esfria, os herdeiros já começam a se digladiar. (p. 88)”

Agatha nos prende nessa leitura, pois é impossível criar uma teoria com todos os fatos. Encontrei-me perdida como o próprio Hastings, sem conseguir ligar todos os pontos. Além de ter um mistério que não nos permiti largar o livro, também é um texto divertido, graças ao seu narrador. Sem contar que todos os personagens são interessantes e têm algo importante a acrescentar na investigação de Poirot.

Enquanto eu lia, percebi que já havia lido algo parecido. Foi nesse momento que me lembrei do conto “O incidente da bola de cachorro”, no qual o romance foi baseado. Esse conto estava perdido nos cadernos da Rainha do Crime e nunca havia sido publicado, até ser incluído nos livros de John Curran, nos quais ele fala sobre os cadernos que Agatha usava para anotar suas ideias a respeito das histórias.

“Poirot perder uma cliente” é meu livro favorito de janeiro. Amei me aventurar no início do século XX com esses personagens.

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Foto Regiane Silva Regiane Silva

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