
Machado de Assis sempre me surpreende, e, ao ler Luís Soares, notei o quanto estou amando a ironia desse autor. Ele está entre meus contos favoritos até o momento.
O conto faz parte de Contos Fluminenses, o primeiro livro de contos de Machado de Assis, publicado em 1870 pela editora Garnier, no Rio de Janeiro. Esse conto é um ótimo exemplo do Machado jovem já mostrando aquilo que depois viraria sua marca: ironia, crítica social, personagens movidos por interesse e um narrador que parece discreto, mas está julgando todo mundo o tempo inteiro. Dá mesmo para se divertir e se indignar ao mesmo tempo.
Mas “Luís Soares” nasceu antes do livro. Sua primeira publicação foi no periódico feminino Jornal das Famílias, em janeiro de 1869. Machado publicou o conto usando o pseudônimo “J.J.”.

O Jornal das Famílias era uma revista voltada para leitura doméstica e feminina, cheia de narrativas morais, romances sentimentais e histórias de costumes. Muitos dos primeiros contos de Machado apareceram ali, frequentemente em capítulos ou fascículos mensais. O próprio projeto de Contos Fluminenses consistiu em reunir esses textos dispersos e dar a eles permanência em livro.
Resumo
O conto narra a história de um jovem elegante e ambicioso que vive acima de suas possibilidades. Luís Soares pertence à elite carioca do século XIX, mas é irresponsável com dinheiro, acumulando dívidas e sustentando uma vida de aparências.
Quando percebe que está praticamente falido, ele começa a enxergar o casamento não como amor, mas como solução financeira. Sua esperança passa a ser seu tio, alguém que pode colocá-lo no testamento como herdeiro. Depois, ele visa Adelaide, uma moça rica e apaixonada por ele. Luís decide cortejá-la, interessado principalmente na fortuna que ela poderá lhe proporcionar.
Resenha
Ao longo da narrativa, Machado expõe o egoísmo, a superficialidade e a hipocrisia do protagonista. Luís Soares tenta manter a imagem de homem refinado e sedutor, mas suas atitudes revelam oportunismo e falta de caráter. O autor usa muita ironia para mostrar como as relações sociais da elite eram frequentemente movidas por interesse econômico.
O desfecho do conto funciona como uma crítica moral: os planos de Luís não acontecem como ele imaginava, e Machado desmonta as ilusões do personagem, mostrando as consequências de sua ambição vazia.
O conto mistura humor, crítica social e análise psicológica, já antecipando temas que se tornariam marcas da obra madura de Machado de Assis.
Sobre o conto em si, há várias coisas curiosas:
O protagonista, Luís Soares, já antecipa um tipo machadiano clássico: o homem elegante, parasita, interesseiro e moralmente vazio.
O centro da narrativa não é exatamente o amor, mas o dinheiro, a herança e o casamento como negócio.
O humor do conto vem muito do contraste entre a pose refinada de Luís Soares e sua decadência financeira.
Ler este conto foi uma ótima experiência. E você já teve essa oportunidade?
No vídeo abaixo, faço uma resenha mais detalhada do conto.
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