TAG LITERÁRIA: livros e autores que me transformaram como leitora

19 de maio de 2026 - Regiane Silva

Uma mulher lendo um livro na biblioteca da casa dela. Imagem gerada por IA.

Tem coisas que a gente só percebe depois de anos lendo: os livros que nos moldaram, os gêneros que abandonamos, as histórias que continuam morando na gente mesmo quando já não gostamos tanto delas. E foi pensando nisso que resolvi responder a uma tag literária… com um detalhe: eu mesma não encontrava nenhuma tag pronta que tivesse exatamente o tipo de conversa que eu queria.

Então pedi ao ChatGPT para criar perguntas mais pessoais, menos “Qual livro você amou ler?” e mais “como a leitura mudou você?”. O resultado foi uma crise existencial literária em dez perguntas; e agora vou dividir minhas respostas com vocês.

1. Qual foi o livro que mudou sua forma de enxergar a leitura?

Na verdade, não foi um único livro. Foram os clássicos.

Passei muito tempo lendo apenas por entretenimento, querendo histórias rápidas, romances envolventes e leituras confortáveis. Mas os clássicos mudaram completamente minha relação com os livros. Eles exigem mais atenção, mais paciência e mais participação do leitor. Não é uma leitura passiva.

Os clássicos costumam atravessar gerações porque falam sobre emoções humanas universais: amor, ciúme, solidão, ambição, medo, desejo e identidade. Cada autor faz isso de uma maneira diferente, mas todos exigem que o leitor participe da construção da história. Não é apenas ler.

2. Você lê para fugir da realidade ou para entendê-la melhor?

Para fugir.

E acho engraçado porque muitos livros acabam me fazendo entender melhor a realidade sem que essa seja minha intenção inicial. Mas, no fundo, eu leio porque gosto da sensação de entrar em outro mundo. Gosto daquele momento em que a cabeça desacelera e tudo o que existe é a história.

A leitura sempre foi um refúgio para mim. Um lugar tranquilo onde posso descansar da vida real por algumas horas.

3. Qual hábito de leitura seu mudou completamente ao longo dos anos?

Hoje eu leio com muito mais presença.

Antes, eu me identificava profundamente com os personagens e absorvia tudo de forma muito emocional. Agora consigo observar mais a construção da obra, a intenção do autor, os detalhes da narrativa. Continuo sentindo, claro, mas sem transformar cada personagem em uma extensão de mim.

Acho que amadurecer como leitora também é aprender a observar a literatura com certa distância.

4. Qual foi a maior mentira que você já contou para si mesma como leitora?

“Vou comprar livros só depois de ler a maioria dos que tenho aqui.”

A maior mentira já contada pela humanidade.

Todo leitor conhece essa ilusão. A gente organiza a estante, faz metas, promete autocontrole… e então aparece uma promoção, uma capa bonita ou alguém falando apaixonadamente sobre um livro e pronto: lá vamos nós comprar mais um.

Mas hoje parei de contar essa mentira.

5. Qual leitura te fez sentir inteligente?

Autores como Clarice Lispector, Agripa Vasconcelos e Graciliano Ramos.

Eles são autores que não entregam tudo pronto. Você precisa pensar, interpretar, reler trechos, perceber nuances. É o tipo de leitura que faz seu cérebro trabalhar.

E o Agripa tem uma qualidade que adoro: ele ensina história brasileira de um jeito muito agradável de ler. Você aprende quase sem perceber.

6. Que conselho você daria para sua versão leitora de alguns anos atrás?

Continue. Porque, sinceramente, eu sou a leitora que sou hoje graças às fanfics da internet e aos romances água com açúcar que li sem culpa durante minha adolescência.

Existe uma pressão muito grande para parecer uma “leitora culta”, como se só clássicos difíceis tivessem valor. Mas ninguém começa lendo Tolstói aos 12 anos. A maioria de nós começa lendo o que diverte, emociona e faz querer continuar virando páginas.

E isso já é suficiente.

7. Qual livro te fez perceber que você tinha amadurecido como leitora?

A Abadia de Northanger e Anna Kariênina.

Durante muito tempo, eu só gostava de romances extremamente românticos, em que o foco principal era o casal. Então perceber que Jane Austen conseguiu me prender, mesmo colocando o romance quase como algo secundário, foi um choque.

E “Anna Kariênina” foi outro momento importante. É um clássico enorme, detalhado e profundamente humano, e, ainda assim, não achei tedioso em nenhum momento. Acho que ali percebi que meu interesse literário tinha mudado.

Pequeno resumo de A Abadia de Northanger

O livro acompanha Catherine Morland, uma jovem apaixonada por romances góticos que começa a enxergar mistérios e conspirações por todos os lados. Jane Austen usa humor e ironia para brincar com os exageros dos romances da época.

Pequeno resumo de Anna Kariênina

A obra retrata a vida da aristocracia russa enquanto acompanha Anna, uma mulher casada que vive um amor proibido e enfrenta as consequências sociais e emocionais de suas escolhas.

8. Existe algum livro que você ama mais pela memória da época em que leu do que pela história em si?

Diário de uma Paixão.

Li esse livro aos 16 anos e chorei horrores. Na época, eu ainda não era uma leitora assídua, então tudo parecia muito intenso e emocionante. Resolvi reler em 2023… e percebi que ele não era exatamente tudo aquilo que minha memória dizia.

Mas isso não diminui o carinho que sinto por ele.

Alguns livros se tornam especiais não apenas pela história, mas pela pessoa que éramos quando os lemos.

Pequeno resumo de Diário de uma paixão.

O romance acompanha Noah e Allie, um casal separado pelas diferenças sociais e pelas circunstâncias da vida, mas unido por um amor que atravessa os anos.

9. Qual livro te fez sentir emoções contraditórias?

Dom Casmurro.

Terminei o livro odiando Bentinho. Odiando o jeito como ele enxergava Capitu. Odiando o que Machado fez aquela personagem passar.

Mas, depois que a leitura assentou na minha cabeça, percebi justamente o quanto o livro era brilhante. A sensação ruim fazia parte da experiência. Machado constrói um narrador extremamente manipulador e faz o leitor entrar naquele ciúme obsessivo junto dele.

E isso é genial.

Pequeno resumo de Dom Casmurro

Bentinho relembra sua juventude e o relacionamento com Capitu enquanto tenta convencer o leitor de que foi traído. O livro é famoso pela ambiguidade: nunca sabemos com certeza o que realmente aconteceu.

10. Qual leitura te lembrou que a literatura ainda consegue surpreender você?

A Menor Mulher do Mundo.

Esse conto me surpreendeu de várias maneiras, principalmente pela coragem da Clarice Lispector. Ela expõe desconfortos humanos, preconceitos, crueldades e curiosidades mórbidas de uma forma muito direta.

É aquele tipo de leitura que termina e deixa um silêncio estranho na cabeça.

E talvez seja exatamente isso que a grande literatura faz.

Pequeno resumo de A menor mulher do mundo

No conto, um explorador encontra uma mulher minúscula vivendo na floresta africana. A descoberta desperta reações diversas nas pessoas que veem sua fotografia, revelando muito mais sobre a sociedade do que sobre a própria mulher.

Esta sou eu, segurando uma pilha de livros.

No fim, percebi que essa tag acabou dizendo muito mais sobre minha vida como leitora do que eu imaginava. Porque ler nunca é apenas sobre livros; é sobre fases da vida, versões de nós mesmas, memórias, amadurecimento e até sobre as histórias que insistimos em carregar por anos.

Alguns livros nos transformam. Outros apenas nos acompanham por um tempo. Alguns envelhecem mal, enquanto outros crescem junto da gente. E talvez seja exatamente isso que torna a leitura tão especial: nós nunca lemos o mesmo livro duas vezes, porque nunca somos exatamente a mesma pessoa.

Se você chegou até aqui, quero muito saber: qual livro mudou sua forma de enxergar a leitura? E qual é a maior mentira que você conta para si mesmo(a) como leitor(a)?

Me conta nos comentários. Afinal, metade da graça de ler é poder conversar sobre livros depois.

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Foto Regiane Silva Regiane Silva

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